quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Historico do surgimento do comise

Comise - Os Seminaristas se abrem para a missão ad gentes

A palavra da Igreja

Os professores dos Seminários e Universidades elucidarão os alunos sobre a verdadeira situação do mundo e da Igreja, para que abram os olhos à necessidade duma evangelização mais intensa dos não-cristãos e o seu zelo se acenda. E ao ensinar as questões dogmáticas, bíblicas, morais e históricas, chamem a atenção para os aspectos missionários nelas contidas, para desse modo se ir formando a consciência missionária dos futuros sacerdotes. (Concílio Ecumênico Vaticano II, Decreto Ad Gentes, sobre a Atividade Missionária da Igreja, n° 39)

Com espírito verdadeiramente católico, (os candidatos ao sacerdócio) habituem-se a transcender a própria diocese, nação ou rito, e ajudar as necessidades de toda a Igreja, dispostos a pregar o Evangelho em toda a parte. (Concílio Ecumênico Vaticano II, Decreto Optatam Totius, sobre a Formação Sacerdotal, n° 20)

“Desejamos que nos seminários a educação dos candidatos ao sacerdócio seja orientada de tal modo a tornar possível uma sólida e profunda consciência missionária, tão útil para robustecer a formação sacerdotal, com vantagem para o futuro exercício de seu ministério, seja qual for o lugar que a providência os destine”. (Pio XII, Encíclica Saeculo exeunte octavo, n° 27)

“E se algum de vós, por benigníssima vontade do Altíssimo, se sentisse chamado para as missões,” nem a falta de clero e nem alguma necessidade da diocese deve dissuadi-lo de dar o próprio consentimento; pois os vossos concidadãos, tendo, por assim dizer, ao alcance das mãos os meios da salvação, estão muito menos longe dessa do que os infiéis... Em tal caso, pois, suportai de boa vontade, por amor de Cristo e das almas, a perda de algum membro do vosso clero, se perda se pode chamar e não, ao invés, ganho; que, se vos privais de algum colaborador e companheiro de fadiga, o divino fundador da Igreja certamente o suprirá, ou expandindo graças mais abundantes sobre a diocese, ou suscitando novas vocações para o sagrado ministério". (Pio XII, Encíclica Saeculo exeunte octavo, n° 28)

A própria formação dos candidatos ao sacerdócio deve procurar dar-lhes “aquele espírito verdadeiramente católico que os habitue a olhar para além dos confins da própria diocese, nação ou rito, indo ao encontro das necessidades da missão universal, prontos a pregar o Evangelho por todo o lado” (João Paulo II, Encíclica Redemptoris Missio, n° 67)

“A Teologia da missão será inserida no ensinamento e no desenvolver progressivo da doutrina teológica, de forma que ponha em plena luz a natureza missionária da Igreja. Mais: preste-se atenção às vias do Senhor em preparação ao Evangelho e à possibilidade de salvação dos que não são evangelizados. Se inculcará também a necessidade da evangelização e da incorporação na Igreja. Tudo isto há de se ter presente quando se reorganizarem os estudos nos Seminários e Universidades. (Paulo VI, Motu Próprio Ecclesiae Sanctae promulgando as normas executórias do Decreto Ad Gentes, n° 1)

Com o fim de promover o espírito missionário, serão os seminaristas e os jovens das associações católicas incitados a estabelecer e a manter relações com os seminaristas e as associações similares existentes nas missões, para que o mútuo conhecimento mantenha fervorosa no povo cristão a consciência missionária e eclesial. (Paulo VI, Motu Próprio Ecclesiae Sanctae promulgando as normas executórias do Decreto Ad Gentes, n° 5)

Sabendo os Bispos até que ponto é a evangelização do mundo uma necessidade urgente, far-se-ão os promotores das vocações missionárias entre seus clérigos e seus jovens, e oferecerão aos Institutos dedicados à obra missionária os meios e a ocasião de fazer conhecidas as necessidades das missões e suscitar as vocações na diocese. (Paulo VI, Motu Próprio Ecclesiae Sanctae promulgando as normas executórias do Decreto Ad Gentes, n° 6)

No despertar vocações para as Missões, cuidar-se-á de apresentar a missão da Igreja que se estende a todos os povos e os meios pelos quais uns e outros (Institutos, padres, religiosos e leigos de ambos os sexos) se esforçam por cumprir essa missão. Sobretudo se há de exaltar e ilustrar, por exemplo, a vocação missionária especial por toda a vida. (Paulo VI, Motu Próprio Ecclesiae Sanctae promulgando as normas executórias do Decreto Ad Gentes, n° 6)

A educação dos futuros sacerdotes para o espírito missionário implica que o sacerdote deve sentir-se e agir, onde quer que se encontre, como um pároco do mundo, ou seja, de toda a Igreja missionária. Ele é o animador nato e o primeiro responsável do despertar da consciência missionária nos fiéis. É ainda o decreto Ad Gentes.... a indicar claramente aos sacerdotes o que devem fazer para suscitar nos fiéis o amor pelas missões: avivem e conservem no meio dos fiéis o mais vivo interesse pela evangelização do mundo; inculquem nas famílias cristãs a necessidade e a honra de cultivarem as vocações missionárias no meio dos seus filhos e filhas; alimentem nos jovens o fervor missionário, de maneira que entre eles surjam futuros mensageiros do Evangelho; ensinem a todos a orarem pelas missões e peçam também o seu generoso contributo de dinheiro e meios. Mas para ter um coração e desenvolver uma ação pastoral dessa amplitude, é preciso uma sólida formação missionária, que deverá ser provida, antes de tudo, pelo Seminário durante os anos de preparação dos futuros sacerdotes. É importante que nos programas dos estudos teológicos a missiologia tenha um lugar de relevo. Assim formados, os sacerdotes poderão por sua vez, formar as comunidades cristãs para um autêntico empenho missionário. Será também desejável que eles, constituindo um único presbitério com o seu bispo, tenham a oportunidade de encontros de reflexão missionária, congressos, retiros e jornadas de espiritualidade tendo como centro a missão. (João Paulo II, Mensagem para o dia mundial das missões, 1990)

Nos seminários é preciso despertar em todos os futuros sacerdotes uma espiritualidade sacerdotal aberta à universalidade da Igreja, à missão redentora de Cristo, que deve realizar-se em toda a terra. Escreve Santo Agostinho: “Se queres amar Cristo, tua caridade abarque todo o mundo”; e o que deve acontecer em todos os cristãos deve de modo especial brilhar nos sacerdotes, os quais, como recomendou São Pedro, devem tornar-se modelo do rebanho. E como o zelo pelas ‘ovelhas perdidas’ deve ser vivíssimo em todos os que foram consagrados ao ministério ou a ele se preparam, é necessário formar os sacerdotes em uma espiritualidade apostólica aberta também aos horizontes missionários, onde estão em jogo os grandes destinos da humanidade em vista do plano da redenção. (Sagrada Congregação pela Evangelização dos Povos, Formação missionária dos futuros sacerdotes, 17.05.1970)

O COMISE

O COMISE é o Conselho Missionário do Seminário. Já existe e atua muito bem em algumas dioceses. Precisa se espalhar por todo o Brasil.

Infelizmente sobre o assunto quase não existe material impresso em português. Por outra parte, há um número cada vez maior de seminaristas (e o que se diz deles pode ser aplicados aos formandos e formandas das comunidades religiosas, com as devidas adaptações) interessados em dar a sua vocação uma abertura que supere os ‘quintais’ da paróquia, da diocese ou mesmo do Brasil.

O papa João Paulo II, na encíclica Redemptoris Missio (n° 33), diz:

Olhando o mundo de hoje, do ponto de vista da evangelização, podemos assinalar três situações distintas.

Ø povos, grupos humanos, contextos socioculturais onde Cristo e o Seu Evangelho não são conhecidos, onde faltam comunidades cristãs suficientemente amadurecidas para poderem encarnar a no próprio ambiente e anunciá-la a outros grupos. Para estes, a Igreja deve oferecer a missão ad gentes;

Ø comunidades cristãs que possuem sólidas e adequadas estruturas eclesiais, são fermento de e de vida, irradiando o testemunho do Evangelho no seu ambiente, e sentindo o compromisso da missão universal. Nelas se desenvolve a atividade ou cuidado pastoral da Igreja.

Ø grupos de batizados que perderam o sentido vivo da , não se reconhecem como membros da Igreja e conduzem uma vida distante de Cristo e do Seu Evangelho. Neste caso, torna-se necessária uma “nova evangelização”, ou “re-evangelização”.

Se fôssemos contabilizar esses grupos humanos, teríamos: de cada cem pessoas que vivem no mundo, hoje, 70 precisam da missão ad gentes; 27 de uma nova evangelização; 3 da atividade pastoral. Em um planejamento estratégico sensato, 70% de nossas forças deveriam ser destinada à missão ad gentes, 27% à nova evangelização e 3% à ação pastoral.

Pelo batismo, todo cristão é necessariamente e naturalmente missionário. Não há outra saída. Ou somos missionários ou não somos discípulos daquele que veio ‘para que todos tenham vida e a tenham em plenitude’ (Jo 10,10). E “todos” conforme suas respectivas necessidades.

Com isso fica demonstrado que a preocupação pela missão ad gentes, e, no nosso caso, ‘além fronteiras’ tem direito de cidadania e exige espaço proporcional dentro de qualquer comunidade cristã, com particular força nas comunidades de formação dos futuros agentes de pastoral. Não para ser mais, nem para ser melhor. Simplesmente para ser. Afinal, a urgência do anúncio da Boa Notícia continua atual como no dia em que Jesus mandou os discípulos ‘ao mundo inteiro’.

Portanto, em toda comunidade, em toda paróquia, diocese, país... devem existir pessoas, sensíveis à problemática do mundo que existe além das fronteiras da comunidade, paróquia, diocese ou nação. Se acreditamos que somos uma só família, então ...

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história. (Gaudium et Spes, 1)

Isto quer dizer que, dentro dos vários grupos existentes na comunidade ou na paróquia e diocese (catequese, liturgia, dízimo, ministros da Eucaristia, vicentinos, pastoral a saúde, pastoral carcerária...) deve haver algumas pessoas que ‘recordem’ aos irmãos e irmãs de fé, que os confins da nossa caridade devem superar os limites geográficos da paróquia ou da diocese.

Evidentemente seria melhor se todos os membros da comunidade tivessem espírito litúrgico, interesse catequético, engajamento a favor dos presos, dos doentes, dos pobres em geral... E todos promovessem a formação da consciência missionária ‘além fronteiras’... Seria bonito, mas não é possível. Ninguém pode fazer tudo. Mais interessante é que cada grupo mantenha vivo o seu carisma e o coloque à disposição dos outros, sem estrelismo, mas também sem omissão.

Como imaginar, então, o COMISE num seminário?

Por tratar-se de um ‘conselho’ é necessário que seja formado por várias pessoas. Alguém deverá dar o primeiro passo. Pode ser o reitor, ou um dos formadores ou mesmo um seminarista que ouviu falar do trabalho missionário e achou interessante. Essa pessoa começa falando da sua idéia com outros membros da comunidade, procurando interessá-los a respeito do assunto.

Às vezes há acontecimentos que facilitam. Por ex. um padre da diocese está partindo como missionário para o Japão. A comunidade do seminário não vai fazer nada? Não vai convidá-lo para partilhar sua experiência? Não prepara uma Missa de despedida? Não leva o missionário nas salas da catequese e nos grupos em que os seminaristas fazem estágio pastoral? Não vai manter contato com ele? E os outros missionários e missionárias da diocese que já estão na luta, em terras distantes? Certamente vai arranjar seus endereços. Vai fazer uma campanha de mensagens para renovar os vínculos espirituais com eles. Não são acaso eles os enviados de nossas Igrejas, não vão em nosso nome?

Outro ponto de partida: a TV mostrou a tragédia do tsunami no oriente ou a guerra no Congo. Os seminaristas não vão colocar uma intenção na oração dos fieis da missa ou na celebração dominical que eles animam? Não vão fazer algum gesto de solidariedade? Não vão convidar os doentes que visitam nos hospitais ou casas de família para oferecerem seus sofrimentos em favor do trabalho de nossos missionários e missionárias?

A partir de iniciativas pequenas como essas é possível reunir uma equipe que se empenhe em manter vivo o interesse missionário em todos os grupos e pastorais.

Não existe regra fixa quanto à composição do COMISE: importante é que tenha claros seus objetivos e conserve boa comunicação com todos os seminaristas e com as pastorais em que eles estão engajados.

Os membros do COMISE (que deveriam ter suas reuniões periódicas) apontam uma diretoria (que deverá ter a aprovação do reitor) a ser avaliada todos os anos. Não precisa se preocupar, pelo menos no começo, com uma estrutura muito burocrática. O importante é o desempenho.

O COMISE será representado nas assembléias e outros momentos da vida da comunidade do seminário.

Objetivos do COMISE são:

Ø informar a comunidade sobre a situação do mundo ‘além fronteiras’ (divulgação de revistas missionárias, atualização dos endereços dos missionários da diocese, presença no mural do seminário com recortes, cartazes, informes dos principais acontecimentos da vida do mundo e da Igreja...)

Ø formar a consciência missionária dos seminaristas (pregações, encontros e retiros com tema missionário, convite a missionários e missionárias que passam na diocese...)

Ø estimular a colaboração pessoal (escolha missionária ‘além fronteiras’ por parte de seminaristas e de jovens com os quais os seminaristas trabalham...)

Ø promover a cooperação solidária: valorizar a Campanha missionária do mês de outubro, organizar com criatividade a coleta do dia mundial das missões (penúltimo domingo de outubro), propor iniciativas especiais de socorro a missionários específicos ou também a campanhas de solidariedade promovidas por entidades confiáveis... Não deve faltar a oferta material pessoal como fruto de sacrifícios livremente assumidos....

É evidente que a atenção aos grandes problemas da humanidade não dispensa os membros do COMISE de um generoso engajamento na vida da comunidade local. Pelo contrário, a experiência do trabalho missionário deve multiplicar a corajosa dedicação aos problemas domésticos.

Para encerrar, vamos ler o que escrevem nossos bispos nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil (2003-2007):

Nossas comunidades eclesiais, apesar de sobrecarregadas de tarefas e muitas vezes contando com escassos recursos, devem “dar de sua pobreza” também para a evangelização ad gentes ou para as missões em outras regiões e além fronteiras. Uma Igreja local não pode esperar atingir a plena maturidade eclesial e, só então, começar a preocupar-se com a Missão para além de seu território. A maturidade eclesial é conseqüência e não apenas condição de abertura missionária. (DGAE n. 138)

Brasília, 11 de setembro de 2007

Pe. Sávio Corinaldesi sx

Pontifícias Obras Missionárias (POM)

SGAN 905 – Conj. B

70790-050 Brasília – DF (Brasil)

Fone: (61) 33.40.44.94 – Fax: (61) 33.40.86.60

E-mail: uniao@pom.org.br

Um comentário:

  1. Olá galera do COMISE!!!!
    A missão é grande galera vamos a missão!!!!!!
    Continuem sempre assim seminaristas missionários, que nunca perdem o sentido de serem discípulos e missionários de Jesus.
    Que Deus os abençoe sempre meus irmãos.

    ResponderExcluir