domingo, 6 de dezembro de 2009






Enviados para anunciar
a Boa-Nova
Oração Missionária 2009

Deus,
Pai de toda a humanidade:
Ouvi o clamor
Dos Vossos filhos.
Enviai-nos
Aonde nada mais existe,
Senão a dor e a incerteza.
Dai-nos as mãos de Marta
E o coração de Maria,
Para que sejamos
Boa-Notícia para os povos.
Maria, Mãe da Igreja,
Intercedei por nós!
Amém.

Intenção Missionária




A Força da Oração














Faltam Padres ou falta espírito missionário?
José Lisboa Moreira de Oliveira, SDV1
Lendo, alguns dias atrás, a revista “Rogate” (nº 216 – outubro de 2003 – pp. 8-15) encontrei algumas estatísticas da Igreja Católica. A revista cita como fonte o jornal L’Osservatore Romano (edição em português, nº 29, 19/07/03, pp. 6-8), órgão oficial do Vaticano. Fiquei surpreso com os dados sobre o número de padres que existe atualmente no mundo. Diante do quadro apresentado, resolvi fazer estas reflexões, esperando assim contribuir para a revisão de algumas situações, especialmente para uma melhor redistribuição dos presbíteros e a retomada da consciência missionária.

1. O número de padres no mundo
De acordo com a estatística acima mencionada, em 2001 existiam 405.067 presbíteros em todo o mundo. Isso significa uma média de 1 (um) padre para cada 15.139 habitantes do planeta. Se considerarmos apenas o número de católicos, temos 1 (um) padre para cada 2.619 fiéis. Relacionando o número de padres com o número de bispos existentes, teríamos para cada bispo uma média de 87,10 presbíteros. Tendo presente o fato de que não mais de 10% dos católicos são praticantes, podemos concluir que existe 1 (um) padre para cada 261,9 católicos praticantes.
Vemos então que o número de padres não é assim tão pequeno como se costuma alardear por aí, especialmente naquele tipo de atividade vocacional da Igreja identificado exclusivamente com a promoção da vocação do presbítero e no qual o Serviço de Animação Vocacional é confundido com “Obra das Vocações Sacerdotais” (OVS). A média mundial se apresenta bastante equilibrada. Não existem razões para desespero e nem para tanta obsessão.
       O que estaria acontecendo então? Acredito que o problema não está na falta de padres, mas na falta de espírito missionário. Esta falta de espírito missionário se encontra não apenas nos padres, mas principalmente nos bispos, os quais não preparam os seus presbitérios para o serviço ministerial, lá onde há mais urgência e mais necessidade. Isso leva à concentração de presbíteros em algumas regiões, especialmente nas mais ricas, deixando outras áreas, particularmente as mais pobres, desprovidas da presença de ministros ordenados.
Os números fornecidos pela própria direção da Igreja Católica colocam em evidência essa realidade. Eles provam que não é suficiente apenas incentivar e promover a vocação do padre. É preciso, com muita urgência, criar nos presbíteros e nos seminaristas a sensibilidade para o serviço missionário. Se não fizermos isso, poderemos até chegar a um número bem maior de padres, mas regiões inteiras continuarão abandonadas e centenas de milhares de comunidades católicas permanecerão privadas da presença de um ministro ordenado.   

       2. A raiz do problema
O problema da falta de pastores é tão antigo como a própria Igreja. O próprio Jesus já tinha percebido isso quando, olhando para as multidões, ficou tomado de compaixão porque viu que elas “estavam exaustas e prostradas como ovelhas sem pastor” (Mt 9,36). Por essa razão deixou a seguinte recomendação: “A messe é abundante, mas os operários, pouco numerosos; pedi, pois, ao dono da messe que mande operários para a sua messe” (Mt 9,37-38). Certamente os operários aos quais Jesus se refere não são apenas os padres, mas todos os evangelizadores e todas as evangelizadoras dos quais a Igreja necessita para fazer chegar a toda a humanidade a Boa Notícia, o Evangelho. Mas os padres também estão incluídos nesta lista e, enquanto ministros que presidem e animam as comunidades, possuem uma missão sumamente importante.
Uma análise mais criteriosa desse texto e do paralelo encontrado em Lucas (Lc 10,1-20) nos mostra com clareza que para Jesus o problema não está na falta de pastores, mas na falta de operários, ou seja, de gente que queira ir pelas cidades e povoados, pelas aldeias e demais localidades. No tempo de Jesus, a Palestina estava infestada de sacerdotes, levitas, escribas, fariseus, doutores da lei, mas faltava quem tivesse compaixão do povo e quem fosse ao encontro dele para “curar as suas doenças e enfermidades” (Mt 10,1).
Aliás, voltando um pouco mais no tempo, podemos constatar que os profetas da Primeira Aliança já denunciaram uma situação semelhante. Eles acusavam os pastores que “apascentavam a si mesmos” (Jr 34,2) e não cuidavam da comunidade, especialmente das pessoas mais sofridas. O oráculo de Ezequiel é dirigido aos governantes do povo, mas tinha também como destinatários os chefes religiosos, mesmo porque era praticamente impossível, para a mentalidade judaica da época, pensar as duas coisas de forma separada.
Na Igreja o problema apareceu muito cedo. No século VI o papa São Gregório Magno já lamentava a falta de operários para a messe. Mas dizia igualmente que o problema não estava na falta de ministros ordenados, mas no pouco espírito missionário dos mesmos. Havia muitos padres, sim, mas poucos dedicados e doados pela causa do Reino. Em uma de suas homilias São Gregório advertia: “Para grande messe, poucos operários, coisa que não sem imensa tristeza podemos repetir; pois embora haja quem escute as palavras boas, falta quem as diga. Eis que o mundo está cheio de sacerdotes, todavia, raramente se vê um operário na messe de Deus; porque aceitamos, sim, o ofício sacerdotal, mas não cumprimos o dever do ofício”.
A questão, pois, é muito antiga. Não faltam padres, mas, como nos lembra são Gregório, falta paixão pelo Reino. O ministério é visto apenas como status, privilégio, meio de fazer carreira e de resolver situações pessoais, como profissão rentável. Por isso muitos aceitam serem ordenados, mas somente um número pequeno se dispõe a “cumprir o dever do ofício”, ou seja, a servir o Povo de Deus lá onde realmente ele precisa.
3. Alguns exemplos ilustrativos
Quem acompanha de perto a vida da nossa Igreja conhece situações em que é bem visível essa realidade e começa a entender que o problema não está na falta de padres, mas na falta de espírito missionário dos presbíteros.
Uma primeira constatação pode ser feita a partir do Anuário da Igreja Católica no Brasil. Ali é possível verificar a grande concentração de padres nas grandes cidades, especialmente nas capitais, de modo particular aquelas litorâneas. O interior do país, sobretudo as pequenas cidades, os lugares mais afastados e pobres, ficam completamente esquecidos. Se olharmos atentamente as próprias capitais, vamos notar que a maioria dos padres está no centro das cidades, ou seja, nos bairros mais abastados, onde a vida é mais fácil. As periferias, mesmo com população mais numerosa, dispõem de um número menor de padres.
Conheço o caso de algumas dioceses que não sabem o que fazer com os seus padres. O número de presbíteros já é maior do que o número de paróquias. Os padres não aceitam trabalhar juntos numa mesma paróquia. Querem que o bispo crie paróquias novas para que cada um tenha o seu “feudo” e com todos os “acessórios indispensáveis”: casa, carro, telefone, telefone celular, computador, Internet, salário, funcionários e assim por diante. Quando é feita a proposta de uma paróquia na periferia, mas sem todas essas mordomias, a recusa é imediata.
Em certas arquidioceses, as paróquias de periferia estão completamente abandonadas. Em algumas delas os párocos não moram no local, mas em bairros mais “chiques”, porque não fica bem o padre morar nesses lugares! O povo vê a cara do pároco somente nos finais de semana e em algumas ocasiões especiais. Em outras, há missa somente de vez em quando, pois não há padres para celebrar nelas. Enquanto isso, nas paróquias do centro, onde as pessoas têm seus carros e podem se locomover com mais facilidade, são celebradas até cinco ou seis missas no domingo.
Em nível mundia, todos conhecemos a corrida dos padres dos países pobres para os países mais ricos, situados no norte do planeta. Muitos padres do hemisfério sul, particularmente da Ásia e da África, sonham ir para a Europa Ocidental e para a América do Norte. Lá chegando, não querem voltar mais para os seus países de origem. A situação estava ficando tão grave que, em 2002, a própria Santa Sé teve que intervir, proibindo os bispos dos países ricos de receberem padres dos países pobres sem prévio entendimento com o bispo da diocese de origem dos presbíteros.
Muitos bispos, especialmente das dioceses mais abastadas, são poucos sensíveis às necessidades das Igrejas mais pobres. Ficam fazendo as contas, reclamando a falta de padres. Não são capazes de despertar a consciência missionária em seus presbitérios. Lembro-me do caso de um bispo de uma diocese pobre do Nordeste, que sentindo a escassez de presbíteros de sua Igreja, dirigiu-se a um seu colega de uma diocese do Sul do país, bem servida de padres. Diante do pedido do seu irmão nordestino, o bispo sulista recitou uma longa ladainha de lamentos, tentando provar que não tinha como oferecer um padre para a outra diocese irmã. O bispo do Nordeste concluiu sua conversa com o seguinte desabafo, ainda que revestido de santa ironia: “Fiquei com tanta pena do coitadinho que quase lhe oferecia um padre da minha pobre diocese para ajudar a resolver a sua penúria!”.
Se dermos uma olhada na vida consagrada, percebemos que há também alguma coisa errada. A pesquisa da CRB, feita em 1997 e publicada em 1998, traz alguns dados que são bastante significativos. Ela mostra, por exemplo, que há mais religiosas e mais religiosos nascidos no Nordeste morando no Sudeste do que no próprio Nordeste.
O levantamento da CRB diz que 14,6% dos religiosos e 11,6% das religiosas afirmam ter nascido no Nordeste. Mas somente 10,6% dos religiosos e 8,9% das religiosas declararam que viviam naquela ocasião no Nordeste. Isso fica mais evidente quando tomamos os dados do próprio Sudeste. Cerca de 35,2% dos religiosos e 32,8% das religiosas afirmavam ter nascido no Sudeste. No entanto, 44,2% dos religiosos e 39,4% das religiosas disseram que estavam morando no Sudeste. Porém, o Sul se apresentou como uma região com bastante consciência missionária. De fato, 45,5% dos religiosos e 47,9% das religiosas declaram ter nascido nesta região. Mas somente 23,3% dos religiosos e 39,0% das religiosas dizem estar morando na região Sul do Brasil. Todavia, sabe-se que as vocações ali estão em declínio e é bem provável que daqui a alguns anos, o Sul esteja povoado de religiosos e religiosas vindos de regiões mais pobres do país.
4. Retomar a proposta do Vaticano II
Durante o Concílio Vaticano II esta questão foi, por diversas vezes, levantada e debatida. No final do Concílio ficaram algumas propostas bastante significativas. Elas, porém, parece que foram completamente esquecidas, salvo honrosas e beneméritas exceções. Por essa razão considero urgente retomar alguns desses elementos.
O Vaticano II insistiu sobre a necessidade de uma melhor distribuição dos padres. Pediu que os presbíteros cultivassem uma solicitude por todas as Igrejas. Sugeriu que as dioceses com maior número de padres oferecessem, com prazer, presbíteros para as regiões mais carentes de ministros ordenados. Nesta iniciativa o bispo não só deve permitir, mas encorajar os padres para a missão. Para tanto, pedia o Concílio, devem-se rever as normas de encardinação, de modo que elas correspondam às necessidades da Igreja do nosso tempo e favoreçam uma adequada distribuição dos presbíteros (cf. PO, 10).
Recordando que os presbíteros devem buscar servir ao bem de toda a Igreja, evitando a dispersão de forças (cf. LG, 28), o Vaticano II insistiu muito sobre o dever missionário dos presbíteros. O serviço da missão não é um acessório na vida do padre, mas elemento fundamental do seu ministério. Por isso, tanto nos seminários como nas faculdades de teologia, será necessário fomentar a consciência missionária (cf. AG, 39).
Os bispos, por sua vez, são chamados a preparar e enviar presbíteros para as regiões mais carentes, para que ali eles exerçam o sagrado ministério de forma definitiva ou ao menos por um tempo determinado. Eles devem considerar não só as necessidades de sua diocese, mas também as das outras Igrejas particulares, pois estas são expressão da mesma e única Igreja de Jesus. Para tanto devem buscar aliviar ao máximo os sofrimentos das dioceses mais carentes de presbíteros (cf. CD, 6).
No que diz respeito à vida consagrada, o Concílio foi bastante preciso. Essa, de fato, precisa ter “um espírito e trabalho realmente católico” (cf. AG, 40). Não deve voltar-se apenas para os interesses do próprio grupo. Com determinação o Vaticano II convidou a vida consagrada a se interrogar com sinceridade, diante de Deus, sobre a possibilidade de deixar algumas atividades para se comprometer com o serviço nos lugares de missão, com novas atividades missionárias. A vida consagrada precisa avaliar se realmente está participando com todas as forças da atividade missionária da Igreja.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Locais das Missões dos Seminaristas da Arquediocese de Maceió - AL 2010

























Romaria da Terra em União dos Palmares - AL 2007
































Fotos da Caminhada da Juventude em Maceió - AL 2007
























Fotos da Missão em Passo de Camaragibe - AL 2007





































Fotos da missão em Stª Teresa Rio Largo - AL





Seminarista em Missão na Comunidade Stª Teresa em Rio Largo - AL











Semináristas do COMISE/AL

Coordenação
Coordenador – Divaldo dos santos Silva

Vice-coordenador – Wanderley Washington Albuquerque Cavalcante

Secretário – Natanael Gomes Duarte

Tesoureiro - Jeová Dias da Silva

Adriano Luiz dos Santos

Alisson Francisco Rodrigues Barreto

Cleyton Paulo Lins da Silva

Geraldo Barbosa Leite

Lavoisier Almeida dos Santos

Vanderley da Silva Costa

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Historico do surgimento do comise

Comise - Os Seminaristas se abrem para a missão ad gentes

A palavra da Igreja

Os professores dos Seminários e Universidades elucidarão os alunos sobre a verdadeira situação do mundo e da Igreja, para que abram os olhos à necessidade duma evangelização mais intensa dos não-cristãos e o seu zelo se acenda. E ao ensinar as questões dogmáticas, bíblicas, morais e históricas, chamem a atenção para os aspectos missionários nelas contidas, para desse modo se ir formando a consciência missionária dos futuros sacerdotes. (Concílio Ecumênico Vaticano II, Decreto Ad Gentes, sobre a Atividade Missionária da Igreja, n° 39)

Com espírito verdadeiramente católico, (os candidatos ao sacerdócio) habituem-se a transcender a própria diocese, nação ou rito, e ajudar as necessidades de toda a Igreja, dispostos a pregar o Evangelho em toda a parte. (Concílio Ecumênico Vaticano II, Decreto Optatam Totius, sobre a Formação Sacerdotal, n° 20)

“Desejamos que nos seminários a educação dos candidatos ao sacerdócio seja orientada de tal modo a tornar possível uma sólida e profunda consciência missionária, tão útil para robustecer a formação sacerdotal, com vantagem para o futuro exercício de seu ministério, seja qual for o lugar que a providência os destine”. (Pio XII, Encíclica Saeculo exeunte octavo, n° 27)

“E se algum de vós, por benigníssima vontade do Altíssimo, se sentisse chamado para as missões,” nem a falta de clero e nem alguma necessidade da diocese deve dissuadi-lo de dar o próprio consentimento; pois os vossos concidadãos, tendo, por assim dizer, ao alcance das mãos os meios da salvação, estão muito menos longe dessa do que os infiéis... Em tal caso, pois, suportai de boa vontade, por amor de Cristo e das almas, a perda de algum membro do vosso clero, se perda se pode chamar e não, ao invés, ganho; que, se vos privais de algum colaborador e companheiro de fadiga, o divino fundador da Igreja certamente o suprirá, ou expandindo graças mais abundantes sobre a diocese, ou suscitando novas vocações para o sagrado ministério". (Pio XII, Encíclica Saeculo exeunte octavo, n° 28)

A própria formação dos candidatos ao sacerdócio deve procurar dar-lhes “aquele espírito verdadeiramente católico que os habitue a olhar para além dos confins da própria diocese, nação ou rito, indo ao encontro das necessidades da missão universal, prontos a pregar o Evangelho por todo o lado” (João Paulo II, Encíclica Redemptoris Missio, n° 67)

“A Teologia da missão será inserida no ensinamento e no desenvolver progressivo da doutrina teológica, de forma que ponha em plena luz a natureza missionária da Igreja. Mais: preste-se atenção às vias do Senhor em preparação ao Evangelho e à possibilidade de salvação dos que não são evangelizados. Se inculcará também a necessidade da evangelização e da incorporação na Igreja. Tudo isto há de se ter presente quando se reorganizarem os estudos nos Seminários e Universidades. (Paulo VI, Motu Próprio Ecclesiae Sanctae promulgando as normas executórias do Decreto Ad Gentes, n° 1)

Com o fim de promover o espírito missionário, serão os seminaristas e os jovens das associações católicas incitados a estabelecer e a manter relações com os seminaristas e as associações similares existentes nas missões, para que o mútuo conhecimento mantenha fervorosa no povo cristão a consciência missionária e eclesial. (Paulo VI, Motu Próprio Ecclesiae Sanctae promulgando as normas executórias do Decreto Ad Gentes, n° 5)

Sabendo os Bispos até que ponto é a evangelização do mundo uma necessidade urgente, far-se-ão os promotores das vocações missionárias entre seus clérigos e seus jovens, e oferecerão aos Institutos dedicados à obra missionária os meios e a ocasião de fazer conhecidas as necessidades das missões e suscitar as vocações na diocese. (Paulo VI, Motu Próprio Ecclesiae Sanctae promulgando as normas executórias do Decreto Ad Gentes, n° 6)

No despertar vocações para as Missões, cuidar-se-á de apresentar a missão da Igreja que se estende a todos os povos e os meios pelos quais uns e outros (Institutos, padres, religiosos e leigos de ambos os sexos) se esforçam por cumprir essa missão. Sobretudo se há de exaltar e ilustrar, por exemplo, a vocação missionária especial por toda a vida. (Paulo VI, Motu Próprio Ecclesiae Sanctae promulgando as normas executórias do Decreto Ad Gentes, n° 6)

A educação dos futuros sacerdotes para o espírito missionário implica que o sacerdote deve sentir-se e agir, onde quer que se encontre, como um pároco do mundo, ou seja, de toda a Igreja missionária. Ele é o animador nato e o primeiro responsável do despertar da consciência missionária nos fiéis. É ainda o decreto Ad Gentes.... a indicar claramente aos sacerdotes o que devem fazer para suscitar nos fiéis o amor pelas missões: avivem e conservem no meio dos fiéis o mais vivo interesse pela evangelização do mundo; inculquem nas famílias cristãs a necessidade e a honra de cultivarem as vocações missionárias no meio dos seus filhos e filhas; alimentem nos jovens o fervor missionário, de maneira que entre eles surjam futuros mensageiros do Evangelho; ensinem a todos a orarem pelas missões e peçam também o seu generoso contributo de dinheiro e meios. Mas para ter um coração e desenvolver uma ação pastoral dessa amplitude, é preciso uma sólida formação missionária, que deverá ser provida, antes de tudo, pelo Seminário durante os anos de preparação dos futuros sacerdotes. É importante que nos programas dos estudos teológicos a missiologia tenha um lugar de relevo. Assim formados, os sacerdotes poderão por sua vez, formar as comunidades cristãs para um autêntico empenho missionário. Será também desejável que eles, constituindo um único presbitério com o seu bispo, tenham a oportunidade de encontros de reflexão missionária, congressos, retiros e jornadas de espiritualidade tendo como centro a missão. (João Paulo II, Mensagem para o dia mundial das missões, 1990)

Nos seminários é preciso despertar em todos os futuros sacerdotes uma espiritualidade sacerdotal aberta à universalidade da Igreja, à missão redentora de Cristo, que deve realizar-se em toda a terra. Escreve Santo Agostinho: “Se queres amar Cristo, tua caridade abarque todo o mundo”; e o que deve acontecer em todos os cristãos deve de modo especial brilhar nos sacerdotes, os quais, como recomendou São Pedro, devem tornar-se modelo do rebanho. E como o zelo pelas ‘ovelhas perdidas’ deve ser vivíssimo em todos os que foram consagrados ao ministério ou a ele se preparam, é necessário formar os sacerdotes em uma espiritualidade apostólica aberta também aos horizontes missionários, onde estão em jogo os grandes destinos da humanidade em vista do plano da redenção. (Sagrada Congregação pela Evangelização dos Povos, Formação missionária dos futuros sacerdotes, 17.05.1970)

O COMISE

O COMISE é o Conselho Missionário do Seminário. Já existe e atua muito bem em algumas dioceses. Precisa se espalhar por todo o Brasil.

Infelizmente sobre o assunto quase não existe material impresso em português. Por outra parte, há um número cada vez maior de seminaristas (e o que se diz deles pode ser aplicados aos formandos e formandas das comunidades religiosas, com as devidas adaptações) interessados em dar a sua vocação uma abertura que supere os ‘quintais’ da paróquia, da diocese ou mesmo do Brasil.

O papa João Paulo II, na encíclica Redemptoris Missio (n° 33), diz:

Olhando o mundo de hoje, do ponto de vista da evangelização, podemos assinalar três situações distintas.

Ø povos, grupos humanos, contextos socioculturais onde Cristo e o Seu Evangelho não são conhecidos, onde faltam comunidades cristãs suficientemente amadurecidas para poderem encarnar a no próprio ambiente e anunciá-la a outros grupos. Para estes, a Igreja deve oferecer a missão ad gentes;

Ø comunidades cristãs que possuem sólidas e adequadas estruturas eclesiais, são fermento de e de vida, irradiando o testemunho do Evangelho no seu ambiente, e sentindo o compromisso da missão universal. Nelas se desenvolve a atividade ou cuidado pastoral da Igreja.

Ø grupos de batizados que perderam o sentido vivo da , não se reconhecem como membros da Igreja e conduzem uma vida distante de Cristo e do Seu Evangelho. Neste caso, torna-se necessária uma “nova evangelização”, ou “re-evangelização”.

Se fôssemos contabilizar esses grupos humanos, teríamos: de cada cem pessoas que vivem no mundo, hoje, 70 precisam da missão ad gentes; 27 de uma nova evangelização; 3 da atividade pastoral. Em um planejamento estratégico sensato, 70% de nossas forças deveriam ser destinada à missão ad gentes, 27% à nova evangelização e 3% à ação pastoral.

Pelo batismo, todo cristão é necessariamente e naturalmente missionário. Não há outra saída. Ou somos missionários ou não somos discípulos daquele que veio ‘para que todos tenham vida e a tenham em plenitude’ (Jo 10,10). E “todos” conforme suas respectivas necessidades.

Com isso fica demonstrado que a preocupação pela missão ad gentes, e, no nosso caso, ‘além fronteiras’ tem direito de cidadania e exige espaço proporcional dentro de qualquer comunidade cristã, com particular força nas comunidades de formação dos futuros agentes de pastoral. Não para ser mais, nem para ser melhor. Simplesmente para ser. Afinal, a urgência do anúncio da Boa Notícia continua atual como no dia em que Jesus mandou os discípulos ‘ao mundo inteiro’.

Portanto, em toda comunidade, em toda paróquia, diocese, país... devem existir pessoas, sensíveis à problemática do mundo que existe além das fronteiras da comunidade, paróquia, diocese ou nação. Se acreditamos que somos uma só família, então ...

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história. (Gaudium et Spes, 1)

Isto quer dizer que, dentro dos vários grupos existentes na comunidade ou na paróquia e diocese (catequese, liturgia, dízimo, ministros da Eucaristia, vicentinos, pastoral a saúde, pastoral carcerária...) deve haver algumas pessoas que ‘recordem’ aos irmãos e irmãs de fé, que os confins da nossa caridade devem superar os limites geográficos da paróquia ou da diocese.

Evidentemente seria melhor se todos os membros da comunidade tivessem espírito litúrgico, interesse catequético, engajamento a favor dos presos, dos doentes, dos pobres em geral... E todos promovessem a formação da consciência missionária ‘além fronteiras’... Seria bonito, mas não é possível. Ninguém pode fazer tudo. Mais interessante é que cada grupo mantenha vivo o seu carisma e o coloque à disposição dos outros, sem estrelismo, mas também sem omissão.

Como imaginar, então, o COMISE num seminário?

Por tratar-se de um ‘conselho’ é necessário que seja formado por várias pessoas. Alguém deverá dar o primeiro passo. Pode ser o reitor, ou um dos formadores ou mesmo um seminarista que ouviu falar do trabalho missionário e achou interessante. Essa pessoa começa falando da sua idéia com outros membros da comunidade, procurando interessá-los a respeito do assunto.

Às vezes há acontecimentos que facilitam. Por ex. um padre da diocese está partindo como missionário para o Japão. A comunidade do seminário não vai fazer nada? Não vai convidá-lo para partilhar sua experiência? Não prepara uma Missa de despedida? Não leva o missionário nas salas da catequese e nos grupos em que os seminaristas fazem estágio pastoral? Não vai manter contato com ele? E os outros missionários e missionárias da diocese que já estão na luta, em terras distantes? Certamente vai arranjar seus endereços. Vai fazer uma campanha de mensagens para renovar os vínculos espirituais com eles. Não são acaso eles os enviados de nossas Igrejas, não vão em nosso nome?

Outro ponto de partida: a TV mostrou a tragédia do tsunami no oriente ou a guerra no Congo. Os seminaristas não vão colocar uma intenção na oração dos fieis da missa ou na celebração dominical que eles animam? Não vão fazer algum gesto de solidariedade? Não vão convidar os doentes que visitam nos hospitais ou casas de família para oferecerem seus sofrimentos em favor do trabalho de nossos missionários e missionárias?

A partir de iniciativas pequenas como essas é possível reunir uma equipe que se empenhe em manter vivo o interesse missionário em todos os grupos e pastorais.

Não existe regra fixa quanto à composição do COMISE: importante é que tenha claros seus objetivos e conserve boa comunicação com todos os seminaristas e com as pastorais em que eles estão engajados.

Os membros do COMISE (que deveriam ter suas reuniões periódicas) apontam uma diretoria (que deverá ter a aprovação do reitor) a ser avaliada todos os anos. Não precisa se preocupar, pelo menos no começo, com uma estrutura muito burocrática. O importante é o desempenho.

O COMISE será representado nas assembléias e outros momentos da vida da comunidade do seminário.

Objetivos do COMISE são:

Ø informar a comunidade sobre a situação do mundo ‘além fronteiras’ (divulgação de revistas missionárias, atualização dos endereços dos missionários da diocese, presença no mural do seminário com recortes, cartazes, informes dos principais acontecimentos da vida do mundo e da Igreja...)

Ø formar a consciência missionária dos seminaristas (pregações, encontros e retiros com tema missionário, convite a missionários e missionárias que passam na diocese...)

Ø estimular a colaboração pessoal (escolha missionária ‘além fronteiras’ por parte de seminaristas e de jovens com os quais os seminaristas trabalham...)

Ø promover a cooperação solidária: valorizar a Campanha missionária do mês de outubro, organizar com criatividade a coleta do dia mundial das missões (penúltimo domingo de outubro), propor iniciativas especiais de socorro a missionários específicos ou também a campanhas de solidariedade promovidas por entidades confiáveis... Não deve faltar a oferta material pessoal como fruto de sacrifícios livremente assumidos....

É evidente que a atenção aos grandes problemas da humanidade não dispensa os membros do COMISE de um generoso engajamento na vida da comunidade local. Pelo contrário, a experiência do trabalho missionário deve multiplicar a corajosa dedicação aos problemas domésticos.

Para encerrar, vamos ler o que escrevem nossos bispos nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil (2003-2007):

Nossas comunidades eclesiais, apesar de sobrecarregadas de tarefas e muitas vezes contando com escassos recursos, devem “dar de sua pobreza” também para a evangelização ad gentes ou para as missões em outras regiões e além fronteiras. Uma Igreja local não pode esperar atingir a plena maturidade eclesial e, só então, começar a preocupar-se com a Missão para além de seu território. A maturidade eclesial é conseqüência e não apenas condição de abertura missionária. (DGAE n. 138)

Brasília, 11 de setembro de 2007

Pe. Sávio Corinaldesi sx

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